Vida Real

Ser ILHÉU | Friday Fact #5

É com muito orgulho que eu afirmo que sou Ilhéu, não são muitas as pessoas que podem afirmar isso, em Portugal são pouco mais de 500 000 pessoas as que nasceram numa Ilha, que perfaz aproximadamente 5% do total de habitantes de Portugal inteiro.

Ser Ilhéu pode ser tanto uma bênção como uma maldição, porque tanto estamos rodeados de natureza, como estamos rodeados de um oceano que nos limita em muita coisa. A insularidade está bem presente quando se vive numa ilha, é aquele sentimento de estarmos limitados a nível físico, que condiciona muita coisa na nossa vida, mas também a nível psicológico, poderá ter um certo peso, porque existem alguns limites que têm de ser ultrapassados para se ter uma vida plena e feliz.

É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.

de José Saramago

Eu vou escrever este texto baseando-me apenas nas minhas vivências como natural de uma Ilha. É bonito testemunhar o entusiasmo das pessoas, quando falo dos Açores e elas reconhecem logo a sua beleza natural, as paisagens de sonho com o verde predominante, fico feliz de perceber que o arquipélago é reconhecido pela sua natureza, pela turismo sustentável, pela paz e pela simpatia dos que lá vivem. O povo português na generalidade tem a fama de saber bem receber, mas os Açorianos são um bocadinho mais calorosos, talvez por ser um meio mais pequeno, não existem as sequelas como numa cidade grande, têm a genuinidade de abrir as suas portas para quem os visita, oferecendo tudo o que podem, comida, bebida e muitas histórias.

Vou ser sincera, eu comecei a escrever este texto há um ano, quando voltei dos Açores na última vez que lá estive, não voltei mais, nunca estive tanto tempo sem lá ir, nem sei quando vou voltar, só sei que neste momento não posso. Há 9 anos que não vivo lá, tive de partir para estudar e tirar a licenciatura que eu tanto desejava, descobri que tinha todo um mundo novo para conhecer e nunca mais pensei em voltar, nunca fez parte dos meus planos, porque eu queria algo mais que lá eu sabia que não iria conseguir, no início sentia que tinha a “obrigação” de retribuir, mas com o passar do tempo deixei cair essa expectativa e apenas comecei a viver a minha vida, na terra que eu escolhi para viver, construir a minha família no nosso refúgio e viver a minha vida à minha maneira, tive a oportunidade e aproveitei, comecei do zero e tornei-me numa nova pessoa. Neste momento sou bem mais eu do que era há nove anos atrás, sou mais segura e cresci, renasci!

Catarina

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